Fatos e relatos pitorescos na profissão de músico

11/12/2020

Eu sou Antonio Luiz Schneiders e vou compartilhar com vocês alguns fatos inusitados da minha vida de músico.

A vida de músico é cheia de fatos inusitados e alguns até engraçados. No meu primeiro ano como integrante da Banda Barbarella no RS, estávamos a caminho de tocar um baile. Na época, o deslocamento era feito numa caminhonete veraneio com 11 músicos a bordo e acoplado no engate, uma carreta com os instrumentos e equipamentos. A estrada era de chão batido, com muita poeira. A uma certa altura, o motorista, um de nossos colegas, começou a gargalhar e diminuir a velocidade. Perguntamos: “o que houve?” E ele respondeu, “estamos sem a carreta, perdemos o reboque!” Paramos. Devido à poeira e às condições da estrada, o motorista não percebeu logo que estava sem a carreta. Após alguns comentários, demos meia volta, retornamos cerca de um quilômetro e encontramos a nossa carreta, por sorte encostada num barranco, o engate havia quebrado devido ao peso dos equipamentos e às condições da estrada. Ufa, que susto! Havíamos imaginado algo muito pior! Improvisamos algumas boas amarrações extras e seguimos lentamente até o salão de baile, de olho na carreta...

Um outro fato que me vem à memória aconteceu após uma turnê com a Orquestra de Sopros da FCSB pela Europa. Atendendo a um convite da Unicentro, fizemos uma noite especial levando nosso espetáculo que havíamos apresentado no velho continente. A 1ª parte do programa era mais tradicional com a orquestra tocando o seu repertório. A 2ª parte era composta de ritmos e danças brasileiras. No intervalo, tínhamos um tempo muito curto para a troca de figurinos. Neste momento, a saída do palco tinha que ser rápida, bem como a troca de roupa. Haviam sido montados praticáveis para servirem de degraus. Eis que nesta saída de palco me dei mal, pisei em falso, torci e fraturei o tornozelo do pé esquerdo. Logo não senti nada, por estar com a adrenalina a mil, mas ao retornar ao palco pude perceber que se tratava de algo mais sério. Não consegui mais pisar, nem encostar com o pé em algo, mas eu tinha toda a responsabilidade do canto e a animação. Fiz a minha parte até o fim apoiado num pé só, com muita dor e sem demonstrar ou falar nada para ninguém. Após o término do show, pedi ajuda aos músicos mais próximos. A superação e determinação sempre foram elementos determinantes na minha vida de músico.

Outra situação imprevisível aconteceu numa viagem à região do Tchaco no Paraguai, no mês de maio há alguns anos. Vários grupos culturais da FCSB fizeram parte dessa viagem para uma apresentação cultural à noite, culminando com um espetáculo para encerrar a festa popular, que transcorreu durante todo aquele dia. Naquela região, nesta época do ano, as chuvas não ocorrem por ser um período de seca. Não chovia há cerca de seis meses e, sendo assim, o palco estava montado ao ar livre. Mas, durante aquele dia, um vento moderado soprou o tempo todo, acompanhado de nuvens que cobriam o céu totalmente. Nós percebemos e avaliamos que um temporal poderia estar se armando, mas eles afirmavam que aquele vento era comum e não era prenúncio de chuva. Sequer imaginávamos o que estava por vir.Ao anoitecer, um vento bem mais forte marcou presença derrubando estantes e partituras durante as apresentações. Na emergência, colegas que estavam nos bastidores subiram ao palco para segurar as pastas e as estantes, e o vento soprava cada vez mais forte. As condições eram desesperadoras e era difícil ler as partituras com tudo balançando e quase caindo. Mesmo nestas condições, conseguimos cumprir toda a programação prevista. Terminamos! Um alívio com esta tormenta..., porém um novo episódio estava prestes a começar: a chuva. O povo de lá observava perplexo o inusitado temporal, e nós vivendo um novo drama. Como a região é arenosa e o nosso ônibus, que também servia de camarim, estava estacionado ao lado do palco, teve que manobrar de forma rápida para sair dali e estacionar num lugar mais seguro.Assim fomos carregando as nossas coisas do jeito que podíamos em meio ao temporal... que correria! Ao final, estávamos todos encharcados, mas o importante é que deu tudo certo com a nossa apresentação, e o povo local foi presenteado com uma abençoada chuva. A partir deste episódio, eles estão convencidos de que, precisando de chuva, basta convidar Entre Rios.

Os relatos que descrevi são alguns entre tantos outros, que marcaram os meus quase 50 anos de músico.Fatos e histórias que vivi e que me trouxeram até aqui. Finalizo afirmando que é muito bom ser músico, ser feliz e realizado com este trabalho. Um abraço a todos e até a próxima!


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